Casa de Lina Bo Bardi sediará exposição internacional

Folha Online

Por FABIO CYPRIANO

CRÍTICO DA Folha

Pela primeira vez, a casa de vidro de Lina Bo Bardi –onde a arquiteta viveu por mais de 40 anos, em São Paulo– será sede de uma exposição internacional, com curadoria do suíço Hans-Ulrich Obrist.

Ele é o diretor de programação da galeria Serpentine, em Londres, e foi considerado pela revista britânica “Art Review” a segunda personalidade mais influente das artes plásticas, atrás do galerista americano Larry Gagosian.

“Quando comecei como curador, minha primeira exposição [aos 23 anos] foi numa cozinha. Eu sempre pensei que mostras num ambiente doméstico, com escala íntima, são especiais. E mesmo que eu faça bienais ou exposições em grande escala, nunca parei com mostras desse porte”, disse Obrist.

O curador já organizou mostras na casa do arquiteto mexicano Luis Barragán (1902-1988), em 2002, e na casa do escritor espanhol Federico García Lorca, em 2007, ambas com produção da espanhola Isabela Mora, envolvida no novo projeto.

Esta será a primeira mostra de Obrist no Brasil. O curador foi convidado para organizar a 30º Bienal de São Paulo, no ano que vem, mas não aceitou a proposta.

Vista da casa de Lina Bo Bardi, em São Paulo

30 ARTISTAS

A exposição na casa de vidro terá cerca de 30 artistas, ainda em definição. Todos criarão obras específicas para o local.

Anteontem, o arquiteto holandês Rem Koolhaas e o brasileiro Cildo Meireles visitaram a casa com o curador. Também já foram contatados artistas como Douglas Gordon, Ernesto Neto e Dominique Gonzalez-Foerster.

Amanhã, Obrist e Koolhaas apresentam o projeto numa palestra no Sesc Pompeia, projetado por Bardi.

Essa não é a primeira vez que o prestigiado Koolhaas vem ao Brasil.

Em 2002, ele chegou a propor a instalação de um elevador de último geração no edifício São Vito, parte do projeto Arte Cidade. Não só a proposta não vingou, apesar de ele ter conseguido a doação do equipamento, como hoje o prédio não existe mais.

Foi naquela época, contudo, que ele entrou em contato com a obra de Lina Bo Bardi. “Eu vi o Masp e fiquei impressionado. Foi apenas há dois anos, devo admitir, na Bienal de Arquitetura de Veneza, que tive uma compreensão mais intensa de seus projetos, passei a ler sobre ela e descobri uma obra única.”

Obrist e Koolhaas visitaram o Masp e não se mostraram satisfeitos com o que foi feito do museu. “Ficamos profundamente desapontados em perceber que os dispositivos de exposição criados pela Lina não estão mais lá e foram construídas paredes”, contou Koolhaas.

Ele também prepara uma exposição no Museu Hermitage, em São Petersburgo, em 2012, sobre organização de exposições e já incluiu projetos de Bardi na mostra.

Oscar Niemeyer costuma monopolizar as atenções quando se fala de arquitetura brasileira. Por que Obrist teria escolhido Bardi?

“Converso com artistas todos os dias e muitos me falam de Lina. Existe uma real obsessão em torno dela, o que é interessante. Ela tem tudo a ver com os projetos que venho desenvolvendo”, diz.

 

Depoimentos

“Tenho tido a oportunidade de antecipar soluções, que visam propiciar segurança. Não apenas às obras, mas também àqueles que nelas trabalham e a seus futuros ocupantes.”

Moacyr Schwab
(Consultor em Geotecnia)

“Estou aqui há sete anos, e uma das razões de me sentir bem em Salvador é morar num prédio CHROMA”

D. Maria Alice
(Moradora do Mansão Giovanni Bellini)

“Esse compromisso com o que fazemos nos leva a realizar sempre o melhor com a certeza de que aqui construímos o futuro.”

Eng. Gustavo Maia
(Diretor Técnico da CHROMA)

“A CHROMA tem promovido uma relação com os seus colaboradores e parceiros de respeito e reconhecimento de seus valores, o que tem provocado resultados surpreendentes.”

Thales de Azevedo
(Projetista de Eng. de Instalações)
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